terça-feira, 2 de agosto de 2011

Vaga, no azul amplo solta, vai uma nuvem errando... 
Vaga, no azul amplo solta,
Vai uma nuvem errando.
O meu passado não volta.
Não é o que estou chorando.
O que choro é diferente.
Entra mais na alma da alma.
Mas como, no céu sem gente,
A nuvem flutua calma.
E isto lembra uma tristeza
E a lembrança é que entristece,
Dou à saudade a riqueza
De emoção que a hora tece.
Mas, em verdade, o que chora
Na minha amarga ansiedade
Mais alto que a nuvem mora,
Está para além da saudade.
Não sei o que é nem consinto
À alma que o saiba bem.
Visto da dor com que minto
Dor que a minha alma tem.

(Fernando Pessoa)

7 comentários:

Aline disse...

Amo esse poema
Lina escolha
Aline,Beijos

Jorge disse...

Fernando Pessoa é o "meu"
poeta. Gosto de ler e revisitar os seus poemas. Este é maravilhoso.
A nossa imaginação, leva-nos a ver o que queremos no fugaz desenho de uma núvem.
Bj
J

Terezah disse...

Muito lindo esse poema de Fernando Pessoa, aliás como todos que ele escreveu!

Passando pra dar um oi, adorei seu blog.

Um beijo
Tereza

tecas disse...

Deia querida, muito lindo este poema do Fernando Pessoa. Bom gosto na escolha. Grande autor e bela imagem.Um belo casamento.
Bjito amigo e uma flor.

Sonhadora disse...

Minha querida

Adoro este poema de Pessoa, para mim um dos mais belos dele.
Ana Moura canta este poema e é maravilhoso.

Beijinho com carinho
Sonhadora

CANTO GERAL DO BRASIL (e outros cantos) disse...

DÉIA,
Pessoa ressoa uma religião tão boa em mim...
Prazer imenso estar aqui...

Abraço mineiro,
Pedro Ramúcio.

Vivian disse...

...delícia ler o poeta
maior nesta tarde fria.

bjs, alma linda!